quarta-feira, julho 16, 2008
Tantas partidas, que são feitas de regressos também, que tecem a novidade com os estilhaços do quotidiano. Voltei, de novo. E a lua está a vigiar-me, decerto indiferente à minha nostálgica insónia, sem se preocupar nada com os mil sentires que me sufocam. Vejo a lua bem, hoje. Entra-me pela janela, gorda, quase distingo o tal penitente que, contava a minha avó, por ter trabalhado ao Domingo lá foi colocado de castigo. Coitado... Castigo eterno! Eu tenho mais sorte. O meu castigo, viver, terá um fim. Pessoa, ou Ricardo Reis - o que é quase a mesma coisa, sempre absolutamente diferente - garantiu: "O Homem é um cadáver adiado que procria". Cheio de razão, como sempre.
Mas cheio de azar, também. Porque a razão não conhece o desejo intenso do corpo que pulsa sob a lua gorda, os sentires gelidamente abrasadores que dominam os pensares, o desespero do tacto no lençol vazio.
Regressei. Terminou a brecha no quotidiano e voltei. De alma lavada, o Tango em Beja tocou-me fundo!, paladares renovados, as ostras no Trinca-Espinhas eram deliciosas, de paz quase recuperada, a minha filha mulher plena a viver a cumplicidade, de coração mimado, uma tarde junto de Amigos pinta a vida de outra cor....
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