<$BlogRSDUrl$>

domingo, agosto 24, 2008

Agosto está de resto. Foi-se, esgotou-se entre idas à praia, notícias de assaltos mais ou menos mediatizados, Jogos Olímpicos e algum sossego. Estou em casa, tudo arrumado, a vontade de existir insistindo em prolongar as férias, a realidade exigindo um esforço. Mais um Agosto que foi. Tantos fois… Passa tudo depressa demais! Bom, tudo não. Às vezes, quando a vida se complica, o tempo arrasta-se e parece não passar mais. Mas este Agosto, o de 2008, voou e deixou algumas saudades. Saudades da Bélgica, de Gant, de Bruxelas também. Saudades de tempos de ignorância. Ignorância feita de alheamento, de distanciamento do real, de recolhimento a um canto exclusivo onde a ternura é possível e, por vezes, o Amor comparece. Este Agosto, pela primeira vez em quantos anos?, não li nenhum romance. Cansaço de construções forçadas? Sensação de déjà vu/lu? Não sei, nem quero saber. Os romances parecem-me esgotados numa multiplicação cansativa e excessiva de fórmulas que sei quase de cor. O que dirão de mim os intelectuais de serviço no meu país, na minha cidadezinha também??
Bom, os intelectuais não. Lembro uma amiga querida, as suas palavras também… Os telectuais! Porque os intelectuais, aqueles que têm alguma coisa in, alguma coisa de dentro-única-particular-exclusiva, escasseiam cada vez mais e decerto me compreenderão. Os outros, os telectuais, os que se fazem de citações e repetições, aqueles que vejo sempre como a literatura inclusa de um medicamento (informação rebuscada que ninguém entende), é que hão-de troçar da minha ignorância assumida e cansada. Quero lá saber!
Aliás, no fim de Agosto não quero mesmo saber de nada que não seja aquele restinho de sabor a mar, a tentativa de descobrir o ponto verde, a calma das caminhadas no paredão, as conversas boas com a caipirinha na mão, os passeios a pé na Serra de sempre. Em finais de Agosto, finjo acreditar nas mentiras que me garantem ser verdades, ignoro o futuro e evito sonhos de ser difícil. Em finais de Agosto, quando as férias estão mesmo de resto e é preciso voltar a cumprir as rotinas que se convencionou definirem seres humanos, espreito as estrelas no céu e espanto-me com os cintilares no manto negro. Em finais de Agosto, recuso acreditar que a vida deu mais uma volta, uma sacudidela talvez, e está pronta para retomar a vulgaridade que a caracteriza.
Um dia, há anos…, nos finais de Agosto vivi o melhor dos dias que fazem a minha essência. Na Serra também, cheia de fé no Amor e nos possíveis também. Então, como diria o Poeta “eu era feliz e ninguém estava morto!” Agora, neste finalzinho de Agosto, há mortos demais, ausências que doem e descrenças que moem. Agora, o restinho de Agosto faz-se de profunda desilusão, de mágoa solitária que eu, de regresso, tento mascarar de sim tudo bem, foram óptimas as férias e é claro que estou feliz…

Comments: Enviar um comentário

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

immediately after the BlogItemCommentsEnabled code within the tags. links to this post