sexta-feira, agosto 08, 2008
Assalto, sequestradores, reféns, atiradores, operações especiais, ruas cortadas, tiros. Tudo em directo, em todos os canais, numa cidade que era calma, numa Lisboa cantada em fados de amor e saudade. Portugal assistiu. Surpreendido? Nem por isso, começa a ser habitual. Assustado? A TV cria a ideia de ficção tranquilizadora. Curioso? Em parte, os portugueses são sempre curiosos. Revoltado? Não me pareceu. Excitado? Um pouco, afinal era um acontecimento intenso.
Eu vi o final, em directo, sorrindo perante o absurdo dos comentários dos repórteres que, cansados, confundiam os reféns com os sequestradores e inventavam motivos de reportagem descrevendo, por exemplo, a chegada de uma ambulância ou a partida de um carro da polícia... O Moita Flores, deve ser o único criminalista português!, comentou em directo, aplaudiu a polícia, opinou e fez considerações. De repente, parecia que as televisões e o MF estavam até contentes por terem um motivo de reportagem!!!
Assusta-me a violência crescente. Assusta-me, também, perceber que ela cresce de forma directamente proporcional ao aumento da pobreza. O medo impera. A falta de segurança aumenta e, apesar disso, o governo anuncia um país no caminho do progresso...
Quase em simultâneo com o assalto, também com direito a cobertura mediática, o Presidente da República vedou o espaço aéreo da zona algarvia onde passa férias. Fiquei muito mais descansada por saber que há pelo menos um português em segurança...
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