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terça-feira, agosto 19, 2008

- Estás acordado?
- Hum...
- Não consigo dormir...
- Hum...
- Vamos conversar...
Ele abre o abraço largo e forte. Ela enconcha-se no porto terno que sabe seguro. O sono não vem.
- Tenho medo.
- Hum...
- A vida é tão complicada!
Ele afaga-a de mansinho, respira próximo, ela sente o calor amado amolecer-lhe a insónia.
- Queria ser pérola.
- Hum...
- Viver sempre nesta concha, protegida, sem querer saber de horas, de existências, de preocupações.
- Se fosses pérola não sentias. E tu és sentires. Dorme.
Ela cala-se, fecha os olhos, torna o corpo a continuidade do dele.
- E se eu me levantasse? Um dia um médico disse que quando a insónia vem não se deve ficar na cama, deve-se trocar-lhe as voltas.
Sente a pressão dele sobre o peito. Uma perna pousa na coxa dela.
- Hum, hum... É muito cedo, conta ovelhas.
- Não é ovelhas que se diz, é carneirinhos.
- Hum, hum...
As mãos masculinas ganham ritmada ousadia. Ela deixa-se afagar, olhos fechados, vendo os fantasmas partirem chateados.

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