quarta-feira, agosto 06, 2008

À noite, na Rue des Bouchers, a tristeza desaparece e os néons, o cheiro das moules, os bonsoir Madame, a cerveja Kriek framboise, mascaram a existência rotineira. Falam-se muitas línguas, há árabes servindo às mesas, portugueses de avental, japoneses fotografando, namorados beijando-se e grupos gargalhando. Os turistas olham, procuram um espaço, espreitam os menus, desconfiados das moules, receosos dos euros a pagar... A Rue des Bouchers é uma sequência única de mesas e cadeiras, de expositores de ostras e mexilhões, de anúncios de lagosta a preços convidativos. Por ali, numa ginástica curiosa, em provas de perícia bem desempenhadas, há ainda os mendigos da música - pedem uma moeda em troco de uma melodia desafinada num violino roufenho -, e as vendedeiras de flores (bouquets!) a garantirem o amor eterno.
Bruxelas. Ainda a encher-me de memórias que são já saudades...