segunda-feira, agosto 11, 2008
Se a insónia fosse homem, se calhar vestia-se de um cigarro e de um programa de televisão. Ou zapping, mesmo. Mas, só porque sim, a insónia é feminina, mulher, e, por isso, faz-se de memórias, preocupações, sonhos, projectos, futuros e... olheiras! Depois de uma noite de insónia, companhia indesejável, o dia surge vestido de mais rugas, de manchas negras sob os olhos, de cara de folhado que não folhou. É assim que vou levantar-me amanhã. Até lá, tentando resistir ao xanax medicinal, fico por aqui revivendo e sonhando.
Lembro outras noites, de não insónia e no entanto passadas acordada também; penso o futuro que começou ontem e temo o sol do amanhã. Lá fora, as cigarras estão numa euforia. Como têm a sorte de nunca terem conhecido o LaFontaine, desconhecem as dificuldades que vão enfrentar, não fazem planos, não têm memória. Não me importava de ser cigarra também. Imagino-me sem memória, sem capacidade de sequer sonhar. Seguindo Ricardo Reis viveria um dia de cada vez, como sendo único. Adoraria a natureza, obedecendo a Alberto Caeiro e nunca seria provocada pela loucura inteligente e febril de Álvaro de Campos. Se eu fosse uma cigarra, agora estaria lá fora, no fresquinho, olhando a lua amachucada, gozando a luz intensa dos milhares de estrelas no céu. Da minha janela vejo as estrelas. E lembro-me de quando ensinava as minhas filhas e identificarem a ursa maior, a descobrirem a estrela polar onde - garantia! - morava o Pai Natal.
Agora, esta noite, até o Pai Natal parece ter mudado de casa, com certeza para um duplex vendido pela Remax...
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