terça-feira, setembro 30, 2008
As minhas filhas chamavam-lhe o avô Manel. Talvez fazendo eco dos primos, esses netos de verdade, ou talvez porque aquela figura lhes aparecia como um avô também. Gostavam dele, muito, em pequeninas e depois, mulheres já. O avô Manel era de poucas falas, agora andava devagarinho, mas tinha sempre um sorriso, uma brincadeira, uma atenção. O avô Manel morreu como viveu: - devagarinho e sem alarde.
No domingo, bem disposto, pensava como ir ao novo restaurante do Castelo sem ter de subir as escadas e, à noite, morria no Hospital Pulido Valente.
Parece que foi um aneurisma da aorta abdominal.
Mas isso, a mim, não interessa nada. Nem sei o que é, nem quero saber! O que me interessa, e assusta, é que há gente demais a desaparecer, desfalcando, brutalmente, o meu património de afectos. Fazem-me falta as minhas referências, os adultos da minha infância. Agora, para mim depressa demais, começo a ver-me no lugar deles e isso apavora-me.
Porque eu não sei ser referência! Porque se eu ainda não encontrei paz para mim, como posso apaziguar os outros?! O avô Manel tem passado o dia comigo hoje. Nos meus sentires, na minha memória, nessa coisa esquisita que é a minha essência. Já tenho saudades dele...
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