sábado, outubro 25, 2008
Num teste de avaliação, pedi aos meus alunos de 12º ano que reflectissem sobre a importância do sonho na construção de um mundo melhor. Preocupada com os resultados dos alunos, porque o governo exige que tenham boas notas e eu ainda não consigo desligar o sucesso do êxito efectivo e real das aprendizagens, esperava ter escolhido um tema aliciante e, para os meus alunos, de fácil redacção. Ora não é que me enganei redondamente? Ao corrigir os trabalhos, na tarde deste sábado de sol, confrontei-me com uma dúvida profunda: - Ou eu estou mesmo velha e fora do mundo de hoje, ou a juventude está a tornar-se oca. Claro que prefiro, apesar de tudo, considerar a primeira hipótese. Tranquiliza-me a ideia de não fazer parte da actualidade sem sentido que domina o mundo, anima-me pensar que eu é que estou errada e que, de facto, o meu mundo não existe… E isto vem a propósito, claro, da maioria dos textos que os meus meninos escreveram. Para alguns, triste e miseravelmente, o sonho limita-se a pesadelos e afins, a vivências e historietas imaginadas enquanto dormem. Coitados. Para outros, o sonho não serve de nada porque, pasme-se!, não adianta de nada sonharmos, o que importa é olharmos a realidade e encontrarmos uma forma de sermos ricos. Felizmente, para meu íntimo consolo, dois ou três ainda sonham. Ainda defendem um mundo diferente, melhor, onde a ternura exista, a cumplicidade seja efectiva, a solidariedade uma prática constante. Estes, referem exemplos. Lembram Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá e até João Paulo II. São estes miúdos que me fazem, cada vez mais, acreditar num mundo novo. Mas eles são uma minoria!
A maioria dos meus alunos de 12º ano, gente crescida, já não acredita no sonho, já não valoriza o poder de sonhar, já não reconhece a importância do imaginário. Estes miúdos, para mim são sempre miúdos, garantem até que António Gedeão estava completamente enganado ao afirmar que “o sonho comanda a vida”. Estes miúdos, são o resultado, triste mas real, do trabalho de desumanização que a minha geração tem vindo a fazer!
Olho os alunos, uma representação do mundo real, e a minha vontade de desaparecer agudiza-se. O que estamos nós, adultos, a fazer com os jovens? O que queremos nós destes miúdos a quem não falamos de projectos (im)possíveis, de causas válidas, de verdades e valores humanos? O que estamos nós a fazer quando, diariamente, ocupamos estes miúdos com explicações de tudo, ou quase, com a fobia das notas altas e com a paranóia dos exames finais? Que mundo estamos a formar, se alimentamos o egoísmo, investimos no material e desprezamos o lado humano? Eu sempre acreditei que o que faz um ser humano não é a conta bancária, ou a cor da pele, ou a língua que fala, ou as notas que obtém. Eu sempre defendi que, como dizia Sebastião da Gama, pelo sonho é que vamos…Por isso, sinto-me hoje magoada e profundamente angustiada.
Porque eu sinto-me cúmplice deste desfazer constante dos valores humanos essenciais. Porque eu sigo normas estúpidas por ter medo de as subverter ou de as contestar. Porque eu cumpro directrizes aberrantes, ocas de valor e sentido, por necessidade de salvaguardar o meu ordenadinho (inho mesmo) no final de cada mês. Onde estão os Homens de coragem os fazedores das diferenças, os ganhadores da razão? O que é que este mundo fez com os meus sonhos, com os meus valores, com os meus ideais? E o que é que eu, adulta e educadora, estou a permitir que façam, estou a fazer??, com a geração de amanhã? Ai, sinto-me hoje tão amachucada…tão culpada e envergonhada também. Porque eu não queria ser heroína, mas queria ser corajosa o suficiente para, pelo menos, não obedecer a regras que sei serem absolutamente absurdas. E não tenho coragem! Os meus alunos negam o sonho e eu defendo-o mas não o respeito. Não serei mais culpada ainda?
A maioria dos meus alunos de 12º ano, gente crescida, já não acredita no sonho, já não valoriza o poder de sonhar, já não reconhece a importância do imaginário. Estes miúdos, para mim são sempre miúdos, garantem até que António Gedeão estava completamente enganado ao afirmar que “o sonho comanda a vida”. Estes miúdos, são o resultado, triste mas real, do trabalho de desumanização que a minha geração tem vindo a fazer!
Olho os alunos, uma representação do mundo real, e a minha vontade de desaparecer agudiza-se. O que estamos nós, adultos, a fazer com os jovens? O que queremos nós destes miúdos a quem não falamos de projectos (im)possíveis, de causas válidas, de verdades e valores humanos? O que estamos nós a fazer quando, diariamente, ocupamos estes miúdos com explicações de tudo, ou quase, com a fobia das notas altas e com a paranóia dos exames finais? Que mundo estamos a formar, se alimentamos o egoísmo, investimos no material e desprezamos o lado humano? Eu sempre acreditei que o que faz um ser humano não é a conta bancária, ou a cor da pele, ou a língua que fala, ou as notas que obtém. Eu sempre defendi que, como dizia Sebastião da Gama, pelo sonho é que vamos…Por isso, sinto-me hoje magoada e profundamente angustiada.
Porque eu sinto-me cúmplice deste desfazer constante dos valores humanos essenciais. Porque eu sigo normas estúpidas por ter medo de as subverter ou de as contestar. Porque eu cumpro directrizes aberrantes, ocas de valor e sentido, por necessidade de salvaguardar o meu ordenadinho (inho mesmo) no final de cada mês. Onde estão os Homens de coragem os fazedores das diferenças, os ganhadores da razão? O que é que este mundo fez com os meus sonhos, com os meus valores, com os meus ideais? E o que é que eu, adulta e educadora, estou a permitir que façam, estou a fazer??, com a geração de amanhã? Ai, sinto-me hoje tão amachucada…tão culpada e envergonhada também. Porque eu não queria ser heroína, mas queria ser corajosa o suficiente para, pelo menos, não obedecer a regras que sei serem absolutamente absurdas. E não tenho coragem! Os meus alunos negam o sonho e eu defendo-o mas não o respeito. Não serei mais culpada ainda?
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