quinta-feira, outubro 23, 2008
É uma valsa intensa, ritmo bem marcado, e oiço o cresçam que o Pedro impõe. Com a minha mão apoiada no ombro do meu par, segura, deixo-me levar e rodopiar. A sala enche-se de vestidos compridos, decotes ousados e olhares morenos líquidos de desejo. Há múrmurios, mãos masculinas sobre tecidos delicados, femininos mesmo, promessas mudas de noites fogosas. Nos carnets as linhas estão preenchidas e as pestanas, cuidadosamente arranjadas, lançam sombras de vergonhas atrevidas nos rostos afogueados. O Pedro grita olha a volta da senhora, e a magia quebra-se. Estou de novo de calças velhas e t-shirt gasta, tenho o cabelo preso com um travessão de tulipas, trouxe-o de Amesterdão, e o meu par, respeitador, não murmurou ousadias.
É tão chato esbarrar com a realidade!
Comments:
O baile já não é aquilo que era!
Haviam de ver os bailaricos que se faziam na minha aldeia. Com todas aquelas mães com um olho no burro e outro no cigano!
Beirão sofreu!
MFonseca
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Haviam de ver os bailaricos que se faziam na minha aldeia. Com todas aquelas mães com um olho no burro e outro no cigano!
Beirão sofreu!
MFonseca
