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domingo, novembro 16, 2008

Para mim, cidadã relativamente informada, habituada a pensar e a ouvir e a ler, ainda faz muito sentido a distinção entre a esquerda e a direita política. O que não me faz sentido nenhum é, exactamente, a afirmação de que, hoje em dia, isso já não importa… E não faz sentido, para mim, porque não posso compreender, ainda que seja obrigada a aceitar, uma sociedade sem referências teóricas seguras e claras, sem enquadramento ético e filosófico. Para mim, faz sentido diferenciar teorias, filosofias que devem, ou deveriam, servir de cenário ao desempenho governativo. Para mim, a esquerda não faz, hoje, nenhum sentido. Foi a esquerda excessiva, a tal ditadura do proletariado, a afirmação de igualdades impossíveis que não permitiu, depois das conquistas de Abril de 1974, a construção de uma sociedade lógica e inteligente. É a esquerda, agora a foleira (a dos que nunca leram nenhuma teoria para além dos slogans eleitorais), que permitiu, e permite, a avaliação por pares, no que diz respeito aos professores, o desempenho de cargos apenas por filiação partidária, sem respeito pela competência científica. Foi a esquerda desenquadrada, esta que vive num mundo onde não cabe, que fez dos revolucionários engravatados de BMW. Eu não gosto desta esquerda. Nem de BMWs… Não gosto das fachadas miméticas, das cópias, dos modelos gastos e falsos. Eu não gosto deste governo. Nem um bocadinho! E nem gosto, sequer, das gravatas pseudo-modernas-realmente-pirosas dos primeiro-ministro e afins. Eu não gosto, nem um bocadinho sequer, da actual equipa do ministério da educação que insiste em querer viciar os dados, forçando sucessos, deturpando realidades. No entanto, deve ser da idade…, até já gosto de algumas práticas esquerdistas como a das manifestações. Gostei imenso de ver os alunos a manifestarem-se, gostei da criatividade de algumas palavras de ordem e, sinceramente, não me chocou nada que tivessem, alguns, dirigido epítetos pouco delicados à senhora ministra. Percebo, claro, que houve excessos. Que alguns miúdos nem sabiam a verdadeira razão do protesto, que outros aproveitaram para não ter aulas. Mas, ao mesmo tempo, só o facto destes jovens terem tido a capacidade de se organizarem e de se manifestarem, encheu-me de alegria. De orgulho, até. De orgulho, porque estes são os miúdos fruto da tal ausência de referências. Estes são os tais que já não aprenderam (ou ainda não aprenderam) como se ganha a liberdade e, mesmo assim, ousaram ir contra o poder. Alegria porque voltei a acreditar que há uma luz ao fundo do túnel. Que os jovens portugueses não se vão deixar espezinhar, sabem o que querem e têm coragem para lutar por algo que lhes diz respeito.
Andava eu a viver a ousadia dos jovens, quando ouvi o dr. Manuel Alegre falar em défice de democracia. Ouvi-o dizer que pensa que o primeiro-ministro devia falar com os professores, que não acha democrática a posição do Ministério da Educação face à avaliação de professores. Ouvi-o até dizer que, com este PS (e há outro?) dificilmente será candidato e que, inclusivamente, pondera a hipótese de criar um novo partido. Um partido onde a democracia seja efectiva. E como se pode efectivar o que não se conhece? Como se pode praticar a democracia se, simplesmente, ela não se ensina nem se promove?!
Quando, como agora, o caos está instalado, quando milhares de profissionais estão descontentes e o dizem com clareza e rigor até científico, como pode não haver diálogo, não haver compreensão, discussão e reformulação?
Uma sociedade sem formação, sem filosofia, sem pensar, sem referências éticas e científicas é… Como o era a do Dantas, há quase cem anos: - Uma geração com o PS ao leme é uma canoa em seco!

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